Marco as dores
Programadas permanente(mente)
Num local sem opções.
Post(e)s sem luz
Agem destitulados
Na pública individualidade
De dedos incoerentes,
À salvo da culpa (e até pela [por ela]),
Manipulados, não pela mão,
Mas pelo Mestre Invisualizável:
que vive no fechado,
isolado e responsável.
Conheça estes primos:
O Escreve e o Escravo...
Homem - Tempo - Mundo - Leem.
No fim, figuram-se ações,
Às luzes ausentes
Dos mesmos Post(e)s
Ativos, Atores,
Altivos, Autores,
Tão vivos, tão flores,
Tão servos, tão dores.
Sário Ferreira - 05/09/2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Sintai e Assintai
Um profeta, vulgo Aurículus, me diz:
Carro, fungo, folha, tosse, passos, sussurros, alarme, risco.
Um outro, muito visionário, me fala:
Carteiras, quadro, folha, identidade, caneta, borracha, lapiseira, chão, teto e porta.
Um terceiro, em mal estado, tenta me sussurrar:
Congestionamento, ar e mais nada.
Um quarto, meio faminto e acidentado há pouco, me pontua:
Sangue de um corte no céu e saliva.
Um quinto, vestido de peles, me proclama, inquieto:
Testa, lapiseira, aliança, roupas, carteira, papel, chão e brisa.
E um último profeta, vítima e vitimador de todos os outros cinco, me grita:
Ansiedade, saudade, sonhos, tédio, falta de criatividade, vontade de levantar e incômodo.
Em uníssono, dizem os profetas (os meus, pelo menos) que viver é isso:
navegar num mar de nomes sentidos, transitáveis e pluriformes,
e tecê-los um único que se traduz no milésimo de um momento,
multipla e redundantemente, até o deitar sem sentido da mente.
Endoida-te, Ser Humano, pois é teu direito por sentir tanto.
Sinto muito...
Sário Ferreira - 15/07/2012
Carro, fungo, folha, tosse, passos, sussurros, alarme, risco.
Um outro, muito visionário, me fala:
Carteiras, quadro, folha, identidade, caneta, borracha, lapiseira, chão, teto e porta.
Um terceiro, em mal estado, tenta me sussurrar:
Congestionamento, ar e mais nada.
Um quarto, meio faminto e acidentado há pouco, me pontua:
Sangue de um corte no céu e saliva.
Um quinto, vestido de peles, me proclama, inquieto:
Testa, lapiseira, aliança, roupas, carteira, papel, chão e brisa.
E um último profeta, vítima e vitimador de todos os outros cinco, me grita:
Ansiedade, saudade, sonhos, tédio, falta de criatividade, vontade de levantar e incômodo.
Em uníssono, dizem os profetas (os meus, pelo menos) que viver é isso:
navegar num mar de nomes sentidos, transitáveis e pluriformes,
e tecê-los um único que se traduz no milésimo de um momento,
multipla e redundantemente, até o deitar sem sentido da mente.
Endoida-te, Ser Humano, pois é teu direito por sentir tanto.
Sinto muito...
Sário Ferreira - 15/07/2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Reminiscências d'um Caminho
Lá estava:
fria,
cinza,
não vazia
e lisa,
Imponente
ao impotente.
Lá via:
medo,
volta,
desafiante e
morta.
Pra uns, afronta,
pra outros, porta.
Lá fez:
chorarem,
praguejarem,
agirem,
pensarem,
lembrarem,
descansarem,
voltarem,
contarem
sobre outros arem,
outros irem
e outros que irão.
Lá ficou:
Atrás,
parada,
e na frente,
ali nonada,
no início do meio
dos sonhos inteiros;
no fim do inteiro
dos sonhos meieiros;
no meio do fim
dos sonhos primeiros.
Lá estava, via e fazia:
tudo isso sem força,
ficando,
servil ao caminho
sem mão,
regendo o destino
da direção,
enquanto morta, fascina,
ou enquanto morta, fatiga
tantas outras retinas.
Sário Ferreira - 09/07/2012
fria,
cinza,
não vazia
e lisa,
Imponente
ao impotente.
Lá via:
medo,
volta,
desafiante e
morta.
Pra uns, afronta,
pra outros, porta.
Lá fez:
chorarem,
praguejarem,
agirem,
pensarem,
lembrarem,
descansarem,
voltarem,
contarem
sobre outros arem,
outros irem
e outros que irão.
Lá ficou:
Atrás,
parada,
e na frente,
ali nonada,
no início do meio
dos sonhos inteiros;
no fim do inteiro
dos sonhos meieiros;
no meio do fim
dos sonhos primeiros.
Lá estava, via e fazia:
tudo isso sem força,
ficando,
servil ao caminho
sem mão,
regendo o destino
da direção,
enquanto morta, fascina,
ou enquanto morta, fatiga
tantas outras retinas.
Sário Ferreira - 09/07/2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
A vida é vela
A vida é uma vela.
que viver é morrer.
Ter pressa pra quê?
Aproveitar a vida nos faz
desperceber o giro atroz da seta,
que pára (pra nós), no bater do último sino.
Por isso, sou mais chegado ao Spencer que ao Horácio.
Esse frenesi de querer matar o tempo...
Aproveitar a vida é fazê-la mais curta.
No tédio jaz a chave de uma vida rendida, apesar de também morrida.
A escolha do ser humano:
Gozar, saciar as vãs e vis vontades da vida e encurtá-la
ou alimentar-se da monotonia pra sentir cada passo dado, sem curti-la (ou seja, alonga-la).
Em ambas as escolhas, a certa verdade:
Viver é morrer (Thanks James),
A sina de todos nós, cadáveres adiados (Grato Fernando).
Todo dia, por mais que você vive, você está morrendo.
Então, se não teme, (en)curta a vida...
Mas lembre-se:
Matar o tempo é matar a nós mesmos e,
no fim, o Carpe Diem não passa de um insano suicídio...
Sário Ferreira - 25/05/2012
Carpe Diem, de Caspar David Friedrich
To live is to die - Metallica
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Dieu Prière (um Triste)
Sade dit-moi
Um homem traça
rumo à desgraça,
devora as páginas
do tomo que é dono
Farta-se do próprio destino
que o abdica ao soar do sino
Sádico, dirá?
Qu'est-ce que tu vas chercher?
Desejas é o desejo
Vossa sina atormentada
de querer ver o que vejo:
pouco, muito, tudo e nada
Avante à estrela incoerente
qual fome em luz que irá arder-te
Le bien par le mal
Maniqueística clemência
cuja cesta recolhe olhos,
secos, chaves em demência,
confusão de dor em molhos:
neles provem o sal
La vertu par le vice
Pecaminosos passos certos
do conflito, o avesso sacro
no perverso pur(o)umano ethos
E tu falta como se risse
Sade dit-moi pourquoi l'evangile du mal?
Bastasse o graal violado de Eva
pelo réptil e fogo suor da treva
Sabe-se: conheça-te a astucia pra ser banal
Quelle est ta religion où sont tes fidèles?
Qual oração chagada estupra a razão
e regenera a lepra de existir: o tão reles?
Si tu es contre Dieu, tu es contre l'homme
Encontra-se o eu para ser contra si!
Sad(ico)e es-t(ou)u (em ti) diaboli(co)que (e)ou divin(o)?(!)
Sário Ferreira - 21/05/2012
Um homem traça
rumo à desgraça,
devora as páginas
do tomo que é dono
Farta-se do próprio destino
que o abdica ao soar do sino
Sádico, dirá?
Qu'est-ce que tu vas chercher?
Desejas é o desejo
Vossa sina atormentada
de querer ver o que vejo:
pouco, muito, tudo e nada
Avante à estrela incoerente
qual fome em luz que irá arder-te
Le bien par le mal
Maniqueística clemência
cuja cesta recolhe olhos,
secos, chaves em demência,
confusão de dor em molhos:
neles provem o sal
La vertu par le vice
Pecaminosos passos certos
do conflito, o avesso sacro
no perverso pur(o)umano ethos
E tu falta como se risse
Sade dit-moi pourquoi l'evangile du mal?
Bastasse o graal violado de Eva
pelo réptil e fogo suor da treva
Sabe-se: conheça-te a astucia pra ser banal
Quelle est ta religion où sont tes fidèles?
Qual oração chagada estupra a razão
e regenera a lepra de existir: o tão reles?
Si tu es contre Dieu, tu es contre l'homme
Encontra-se o eu para ser contra si!
Sad(ico)e es-t(ou)u (em ti) diaboli(co)que (e)ou divin(o)?(!)
Sário Ferreira - 21/05/2012
Sadeness - Enigma
domingo, 29 de abril de 2012
Sonnet Unlistened: Unsound
So far, so close
a question flows
inside a head
with silence doubt.
World goes ahead
through furious red,
spreading fault,
cruelty in shine.
The fate is a crime,
strong fragile rose:
a blood burst o'rhyme.
So distant in close,
we keep on being led.
Mute quest made of noise.
Sário Ferreira - 29/04/2012
a question flows
inside a head
with silence doubt.
World goes ahead
through furious red,
spreading fault,
cruelty in shine.
The fate is a crime,
strong fragile rose:
a blood burst o'rhyme.
So distant in close,
we keep on being led.
Mute quest made of noise.
Sário Ferreira - 29/04/2012
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