domingo, 31 de julho de 2011

Espinhos

Minhas condolências por mim mesmo
Que viajando e buscando a esmo
O fim da poesia
A meada da nostalgia

Retraço a trilha aporosa
Reunindo estilhaços de rosa
Tal qual Drummond Mestre previa

Amante, odiante, diferente e indiferente
Fez-me um dia o(s) dilema(s), amorosa
De senhor e escravo de poemas

E ainda assim, eu amo rosas

Sário Ferreira - 31/07/2011

domingo, 13 de março de 2011

Lemniscata

As trevas do desespero à beira do precipício podem ser belas. Definitivamente há males que vem para um bem que você jamais imaginou...
                                                                                                Assinado por Alguém enfim curado.

LEMNISCATA

Penso, tenso e intenso
Qual o próximo passo
Traçar ou não o que faço
Meu sonho era ter a cordis de aço
Fria, reluzente, à prova dos estilhaços
Dos meus anseios, caprichos insatisfeitos
Promessas e feitos não feitos
Influências em meus defeitos perfeitos
Oriundas da voz dos tempos e de Dias
Uma esperança, hoje morta e tardia...

Na ânsia de encontrar em mim um caminho
Que não leve, me leve ao caótico eu, perdido e sozinho
Não me conheço, não me dou preço e sinto sem ver
A treva da escolha que me arranca o sono e precede o abandono

Começar, rumar, acabar
Eis o destino, o fim absoluto
Que és de toda paixão vil fruto
Por força da vida ou sorte da morte

Eterna afronta de mim versus mim
Incerteza venenosa, circular, sem início e fim
Só há a garantia do ser
Se ela é, eu sou: somos!
A contradição encarnada de sentimentos extremos
Vã vítima perpétua dos meus próprios venenos

Sário Ferreira - 02/03/2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Desesperodoado

Chegou a crise!
Que faço eu?!
Que faço?!
Cadê o eu?
Morreu?
Desceu?
Eu!

Não corre! Não morre!
Não esquece que esqueci!
Me lembra que eu estou aqui!
No leito da tarada batalha, está o proletário que sumiu com ti!
Amigo meu que rima com o mel pior, me disse uma vez que o dinheiro é cruel!
Então me diz cadê você que sou o eu, o ti em mim que tu me deu! No céu?!

Conjecturo o travado fim, longe e perdido do meu mais e maior mim!
Há solução, entre soluços em que não sou são?
Tudo me empurra pra frente, responsabilidades das idades, densa sina, surda buzina!
E a mente, a gente, afronte a frente até o finalmente!

O finalmente!

O final mente...


domingo, 21 de novembro de 2010

Desertório

Depois de um longo inverno, cá estou eu de novo, (re)tentando blogar algumas poesias e (ou) pretensas destas. Outro dia, já fazem meses, estava eu no trabalho, aprisionado no costumeiro escritório em que passo a parte mais densa de meus dias e semanas, quando, no meio das atividades rotineiras que lá realizo, brotou em mim uma incomum inspiração e em local mais incomum ainda... Aproveitei-me e, tomando o teclado em minhas mãos, atei-me ao caminho das palavras uma vez mais...

DESERTÓRIO

Preso na tela
O sono protela
Ileso esfarela
Deserto em remela

Ponteiros em sol
Apertam um nó
Retesa-me só
Faz o livre em pó

Assim, dez caminham
Passos repassados num chão
De poucas polegadas se vão
Um, cem, dez caminhos
Qual línqua pisoteada
Diz muito sem falar nada

Um nobre descoroado
Em móvel trono jaz
Sem súditos, sem paz
Em távola aprisionado
Onde corre fiel um rato
Rato preto, não teme gato

Sofrida travessia
Ida sem noite ou dia
Sol de calor que esfria
Em solitária companhia

Findam-se as areias
Decerto, o oásis amado
Ante lesadas veias
Deserto teu grão suado














Sário Ferreira

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Insaciável

Esse desejo fulguroso
Ardente e sincero
De possuir você por completo
Sem exceções mínimas ou máximas

De ter sua respiração
De ter seu olhar
De ter seus lábios em mim
De ter seu corpo
De ter seu coração
De ter sua alma comigo

Possuir você por completo
A razão do meu Ser encarnada
Sem exceções, máximas ou mínimas
Saciar essa vontade insaciável
Em uma eterna e prazerosa sina

Te ter até me perder
E ver que o que existe é você
Divina e lendária na minha mente
Materializando-se dos meus sonhos mitológicos

Desejo fulguroso
Me guiando até o fim da sanidade
Sincero e ardente
Engrenando meus suspiros
Ainda que o Apocalipse desfaça o mundo

Quanto mais minhas células gritam
Em dependência de ti
Mais me dou conta
De quanto me torno insaciável
De sua presença tranqüilizadora
E da imagem perfeita e clara
De um sonho realizado
Resumida em seu mais simples sorriso














Sário Ferreira, 16 de Dezembro de 2008

terça-feira, 22 de junho de 2010

Anjo de Artémis

Anjo que ascende, calma, do leito de Ártemis
Me deixe sonhar, no acalento de teu abrigo
Perfeito me acende, com ‘alma, o frio não temes
Posso sussurrar, ao vento aromal que trazes consigo?

De vasta ternura, o mar de um amar tão profundo perfaz
A raiz dos sentires, que florescem por dentro esse fascínio
Esplendida e rara, a forma sem forma ao meu mundo se traz
Reflexo de Eros, linhas que tecem o córdis com domínio

Ó, caminhante das estrelas, magnetiza-me como ímã ao ferro
Sete eternidades inteiras seriam finitas para te proclamar
E citar a grandeza da volição insaciável de ter-te muito além do te ter

Aqui, ante asas tão belas, recuso nomear tal ânsia como erro
Faz-se realidade sonheira, Elysiun sólido de suspirar
Não há tristeza ou aflição, Serafim de Ártemis, anjo do bem de meu ser












Sário Ferreira - 12/06/2009

Férias & tempo livre & agora... E agora?

A quanto tempo não sentia o sabor desse tempero chamado tempo livre... Ainda não consigo crer que estou conseguindo:

*Ler alguns de meus tantos livros que tanto me esperavam
*Ouvir música
*Jogar um ou outro jogo no PC
*Ler os blogs dos meus companheiros e companheiras de guerra no curso de letras
*Tocar minha até então empoeirada guitarra/violão até meus calos dos dedos se reinstalarem em seus devidos lugares
*Ficar à toa (Somente após a labuta diária de dez horas, é claro)
*Dormir mais cedo
*Escrever isso...

Todas essas atividades não deixavam de ser sonhos distantes, há umas 2 semanas atrás... mas agora cá estou, de férias e as férias estão de mim. É claro que o trabalho ainda interfere no descanso que eu realmente julgo merecer (o que, se realizado, me deixaria em coma para o resto da vida), mas esse pouco tempo que tenho está mais do que rendável... em dezembro sim terei férias totais, mas nem arrisco em pensar nesse futuro com tanto afinco, pois quanto mais rápido o tempo passa, mais rápido a vida passa junto. E aí vai uma dúvida filosófica inspirada pelo meu amigão Herbert Spencer: por que estamos sempre possuídos por esta sangria de querer matar o tempo, sendo que quanto mais veloz seu pavio queimar, mais breve será a duração das chamas de nossas vidas? Mesmo consciente sobre o fato de que matar o tempo poder ser considerado um sinistro desejo suicida, não consigo desviar desta sina carregada pela humanidade... O bom é apreciar cada átomo do pavio queimar, é se deliciar com o agora. E ao menos agora, quero aproveitar o agora, postando uma poesia... mas pena que o agora já passou e quando você ler, vai pensar que está lendo agora... mas este agora maledicto já passaste... Agora inalcançável, a compreensão do usufruto do viver está em você, e você inexiste... tal como o ínicio de um círculo que gira ao mesmo tempo em sentido oposto a seu próprio sentido.

Ainda fico louco por tentar encontrar alguma lucidez na realidade.