Lá estava:
fria,
cinza,
não vazia
e lisa,
Imponente
ao impotente.
Lá via:
medo,
volta,
desafiante e
morta.
Pra uns, afronta,
pra outros, porta.
Lá fez:
chorarem,
praguejarem,
agirem,
pensarem,
lembrarem,
descansarem,
voltarem,
contarem
sobre outros arem,
outros irem
e outros que irão.
Lá ficou:
Atrás,
parada,
e na frente,
ali nonada,
no início do meio
dos sonhos inteiros;
no fim do inteiro
dos sonhos meieiros;
no meio do fim
dos sonhos primeiros.
Lá estava, via e fazia:
tudo isso sem força,
ficando,
servil ao caminho
sem mão,
regendo o destino
da direção,
enquanto morta, fascina,
ou enquanto morta, fatiga
tantas outras retinas.
Sário Ferreira - 09/07/2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
A vida é vela
A vida é uma vela.
que viver é morrer.
Ter pressa pra quê?
Aproveitar a vida nos faz
desperceber o giro atroz da seta,
que pára (pra nós), no bater do último sino.
Por isso, sou mais chegado ao Spencer que ao Horácio.
Esse frenesi de querer matar o tempo...
Aproveitar a vida é fazê-la mais curta.
No tédio jaz a chave de uma vida rendida, apesar de também morrida.
A escolha do ser humano:
Gozar, saciar as vãs e vis vontades da vida e encurtá-la
ou alimentar-se da monotonia pra sentir cada passo dado, sem curti-la (ou seja, alonga-la).
Em ambas as escolhas, a certa verdade:
Viver é morrer (Thanks James),
A sina de todos nós, cadáveres adiados (Grato Fernando).
Todo dia, por mais que você vive, você está morrendo.
Então, se não teme, (en)curta a vida...
Mas lembre-se:
Matar o tempo é matar a nós mesmos e,
no fim, o Carpe Diem não passa de um insano suicídio...
Sário Ferreira - 25/05/2012
Carpe Diem, de Caspar David Friedrich
To live is to die - Metallica
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Dieu Prière (um Triste)
Sade dit-moi
Um homem traça
rumo à desgraça,
devora as páginas
do tomo que é dono
Farta-se do próprio destino
que o abdica ao soar do sino
Sádico, dirá?
Qu'est-ce que tu vas chercher?
Desejas é o desejo
Vossa sina atormentada
de querer ver o que vejo:
pouco, muito, tudo e nada
Avante à estrela incoerente
qual fome em luz que irá arder-te
Le bien par le mal
Maniqueística clemência
cuja cesta recolhe olhos,
secos, chaves em demência,
confusão de dor em molhos:
neles provem o sal
La vertu par le vice
Pecaminosos passos certos
do conflito, o avesso sacro
no perverso pur(o)umano ethos
E tu falta como se risse
Sade dit-moi pourquoi l'evangile du mal?
Bastasse o graal violado de Eva
pelo réptil e fogo suor da treva
Sabe-se: conheça-te a astucia pra ser banal
Quelle est ta religion où sont tes fidèles?
Qual oração chagada estupra a razão
e regenera a lepra de existir: o tão reles?
Si tu es contre Dieu, tu es contre l'homme
Encontra-se o eu para ser contra si!
Sad(ico)e es-t(ou)u (em ti) diaboli(co)que (e)ou divin(o)?(!)
Sário Ferreira - 21/05/2012
Um homem traça
rumo à desgraça,
devora as páginas
do tomo que é dono
Farta-se do próprio destino
que o abdica ao soar do sino
Sádico, dirá?
Qu'est-ce que tu vas chercher?
Desejas é o desejo
Vossa sina atormentada
de querer ver o que vejo:
pouco, muito, tudo e nada
Avante à estrela incoerente
qual fome em luz que irá arder-te
Le bien par le mal
Maniqueística clemência
cuja cesta recolhe olhos,
secos, chaves em demência,
confusão de dor em molhos:
neles provem o sal
La vertu par le vice
Pecaminosos passos certos
do conflito, o avesso sacro
no perverso pur(o)umano ethos
E tu falta como se risse
Sade dit-moi pourquoi l'evangile du mal?
Bastasse o graal violado de Eva
pelo réptil e fogo suor da treva
Sabe-se: conheça-te a astucia pra ser banal
Quelle est ta religion où sont tes fidèles?
Qual oração chagada estupra a razão
e regenera a lepra de existir: o tão reles?
Si tu es contre Dieu, tu es contre l'homme
Encontra-se o eu para ser contra si!
Sad(ico)e es-t(ou)u (em ti) diaboli(co)que (e)ou divin(o)?(!)
Sário Ferreira - 21/05/2012
Sadeness - Enigma
domingo, 29 de abril de 2012
Sonnet Unlistened: Unsound
So far, so close
a question flows
inside a head
with silence doubt.
World goes ahead
through furious red,
spreading fault,
cruelty in shine.
The fate is a crime,
strong fragile rose:
a blood burst o'rhyme.
So distant in close,
we keep on being led.
Mute quest made of noise.
Sário Ferreira - 29/04/2012
a question flows
inside a head
with silence doubt.
World goes ahead
through furious red,
spreading fault,
cruelty in shine.
The fate is a crime,
strong fragile rose:
a blood burst o'rhyme.
So distant in close,
we keep on being led.
Mute quest made of noise.
Sário Ferreira - 29/04/2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
Descartável
Insisto, logo existo.
Existo logo nisto.
Nisto logo inexistirei.
Hei!
(Se é) Logo, logo invisto.
Invisto logo nisso.
Nesse logo que não sei.
Ei...
Não sei, logo saberei.
Saberei logo... logo, não! Cruzes!
Cruzes a ti mesmo, logo ou não, e há de ser
Rei.
Nada, nada,
Nada sei
De cruzes e logos e seres e rei.
Nada deriva do peso dispenso
Que faz-me existir de tanto que penso.
Sário Ferreira - 09/03/2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Zonódia
João Pestana, acalenta-te a ti próprio e para de incomodar.
Melhor, dorme João e deixa o Pestana ficar,
Com ele e mais seis, cantaremos a ode ao teu fracasso,
No ezcuro, claro, e até o claro vazar em furo
por nuvenz insones, quem você não alcança
E aszim, ainda que insizta no zeu zadizmo,
zimulando difuntoz e cadáverez, vamoz cantar, zerenatar
Zem zezzar, zempre zaindo do zeu dezejo de realizar
a inconzzienzia doz dezpertadoz dezezperadoz.
Inzano, ezorzizar-me doz todoz meuz
Zonhoz de dezdezpertar-me
Zono, ze zuma no zom!
Z..zim? Zzzai! Zai...
Zzzou... zzzeu.
Zzzzzzz.
Sário Ferreira - 07/03/2012
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