quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Divagança

Dava vaga devagar: divaguei do vago d'uva à agarrar

InVerso

rarraga á avu'd ogav od ieugavid :ragaved agav avaD

DiVerso

De ver dever: dever do ver deveras erguer.

Mundo - Poesia:
Inversos espelhos idênticos de dejavús em ecos,
alheios
e aleatórios.

Alheiatórios no fio das Parcas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um caso de acaso

Por algum acaso,
Caso alguém faça-me pouco caso
Por causa do bem dito acaso,
Com quem caso e recaso,
Vejo isso como um duro caso.

Palavras, por acaso, já são difíceis, ainda que casuais.
Poemas, então, palavras que formam casas tortas de causas,
às vezes incasuais demais, casam-se com a dificuldade de sair
Dessas cabeças, corações e mãos - Não sais, sais, não sais!

É tudo um caso de casamentos de acasos,
No qual o padre é um poeta, desbatinado e descasado,
Casando causos e casos em uma casa sem causas.

Por acaso e por que causa?

Disso eu não sei, cansei...

domingo, 31 de julho de 2011

Espinhos

Minhas condolências por mim mesmo
Que viajando e buscando a esmo
O fim da poesia
A meada da nostalgia

Retraço a trilha aporosa
Reunindo estilhaços de rosa
Tal qual Drummond Mestre previa

Amante, odiante, diferente e indiferente
Fez-me um dia o(s) dilema(s), amorosa
De senhor e escravo de poemas

E ainda assim, eu amo rosas

Sário Ferreira - 31/07/2011

domingo, 13 de março de 2011

Lemniscata

As trevas do desespero à beira do precipício podem ser belas. Definitivamente há males que vem para um bem que você jamais imaginou...
                                                                                                Assinado por Alguém enfim curado.

LEMNISCATA

Penso, tenso e intenso
Qual o próximo passo
Traçar ou não o que faço
Meu sonho era ter a cordis de aço
Fria, reluzente, à prova dos estilhaços
Dos meus anseios, caprichos insatisfeitos
Promessas e feitos não feitos
Influências em meus defeitos perfeitos
Oriundas da voz dos tempos e de Dias
Uma esperança, hoje morta e tardia...

Na ânsia de encontrar em mim um caminho
Que não leve, me leve ao caótico eu, perdido e sozinho
Não me conheço, não me dou preço e sinto sem ver
A treva da escolha que me arranca o sono e precede o abandono

Começar, rumar, acabar
Eis o destino, o fim absoluto
Que és de toda paixão vil fruto
Por força da vida ou sorte da morte

Eterna afronta de mim versus mim
Incerteza venenosa, circular, sem início e fim
Só há a garantia do ser
Se ela é, eu sou: somos!
A contradição encarnada de sentimentos extremos
Vã vítima perpétua dos meus próprios venenos

Sário Ferreira - 02/03/2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Desesperodoado

Chegou a crise!
Que faço eu?!
Que faço?!
Cadê o eu?
Morreu?
Desceu?
Eu!

Não corre! Não morre!
Não esquece que esqueci!
Me lembra que eu estou aqui!
No leito da tarada batalha, está o proletário que sumiu com ti!
Amigo meu que rima com o mel pior, me disse uma vez que o dinheiro é cruel!
Então me diz cadê você que sou o eu, o ti em mim que tu me deu! No céu?!

Conjecturo o travado fim, longe e perdido do meu mais e maior mim!
Há solução, entre soluços em que não sou são?
Tudo me empurra pra frente, responsabilidades das idades, densa sina, surda buzina!
E a mente, a gente, afronte a frente até o finalmente!

O finalmente!

O final mente...


domingo, 21 de novembro de 2010

Desertório

Depois de um longo inverno, cá estou eu de novo, (re)tentando blogar algumas poesias e (ou) pretensas destas. Outro dia, já fazem meses, estava eu no trabalho, aprisionado no costumeiro escritório em que passo a parte mais densa de meus dias e semanas, quando, no meio das atividades rotineiras que lá realizo, brotou em mim uma incomum inspiração e em local mais incomum ainda... Aproveitei-me e, tomando o teclado em minhas mãos, atei-me ao caminho das palavras uma vez mais...

DESERTÓRIO

Preso na tela
O sono protela
Ileso esfarela
Deserto em remela

Ponteiros em sol
Apertam um nó
Retesa-me só
Faz o livre em pó

Assim, dez caminham
Passos repassados num chão
De poucas polegadas se vão
Um, cem, dez caminhos
Qual línqua pisoteada
Diz muito sem falar nada

Um nobre descoroado
Em móvel trono jaz
Sem súditos, sem paz
Em távola aprisionado
Onde corre fiel um rato
Rato preto, não teme gato

Sofrida travessia
Ida sem noite ou dia
Sol de calor que esfria
Em solitária companhia

Findam-se as areias
Decerto, o oásis amado
Ante lesadas veias
Deserto teu grão suado














Sário Ferreira

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Insaciável

Esse desejo fulguroso
Ardente e sincero
De possuir você por completo
Sem exceções mínimas ou máximas

De ter sua respiração
De ter seu olhar
De ter seus lábios em mim
De ter seu corpo
De ter seu coração
De ter sua alma comigo

Possuir você por completo
A razão do meu Ser encarnada
Sem exceções, máximas ou mínimas
Saciar essa vontade insaciável
Em uma eterna e prazerosa sina

Te ter até me perder
E ver que o que existe é você
Divina e lendária na minha mente
Materializando-se dos meus sonhos mitológicos

Desejo fulguroso
Me guiando até o fim da sanidade
Sincero e ardente
Engrenando meus suspiros
Ainda que o Apocalipse desfaça o mundo

Quanto mais minhas células gritam
Em dependência de ti
Mais me dou conta
De quanto me torno insaciável
De sua presença tranqüilizadora
E da imagem perfeita e clara
De um sonho realizado
Resumida em seu mais simples sorriso














Sário Ferreira, 16 de Dezembro de 2008